
- Oh desgraça, onde está minha graça? Os amores da minha vida? Quem chora pela minha partida?
- Apenas o suspiro do vento.
- E o meu amor? Em que mar naufragou? Por que me abandonou?
- Amor Senhoria? De que amor vos fala?
- Nunca tive uma paixão?
- Seu coração só bate por uma noite só, Majestade.
- Que tempestade! Como pude viver sem sentir?
- Como pode senhor?
- Temo nunca ter vivido. Onde estão meus filhos?
- Os bastardos?
- Oh, não serei perdoado.
- Estão bem senhor, bem revoltados.
- E os meus e de minha Senhora?
- Morreram senhor, uns antes de nascer, outros na guerra.
- Que guerra?
- Não me recordo senhor, pois foram tantas.
- Que horror! Que horror! O que fiz para merecer essa dor?
- Governou senhor, governou.
- E onde está meu povo? Orando por mim?
- Não existe mais ninguém senhor. Morreram também.
- Na guerra?
- Alguns. Outros foram de doenças mesmo.
- Doenças? Em meu reino?
- De fome também.
- E as produções?
- Quais? As que foram para a nobreza?
- Ah... Pobrezinhos.
- Coitadinhos...
- E agora, como vão fazer?
- Os pobres? Nada, porque estão...
- Não! Os ricos!
- Fugiram para outro reino.
- Delinquentes! Deixaram-me... Como podem?
- Em seus cavalos senhor; cavalgaram.
- Disso eu sei. E os meus serviçais?
- Foram com os nobres, estais sozinho.
- Vejo que sim, vou morrer sem ninguém chorando por mim. Mas você ficou! Mas quem é você? Como se chama meu bom jovem?
- Me chame apenas de Morte, senhor, de Morte.
Bruna Nunes de Souza
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